Baleias-jubarte têm menos filhotes no Brasil e temporada termina mais cedo |
Instituto Baleia Jubarte registra queda na proporção de filhotes, e a principal hipótese é o aquecimento global, com possível efeito sobre o krill na Antártida.
Um número abaixo da média
Todo ano, as baleias-jubarte percorrem quase 4 mil quilômetros, da Antártida, onde se alimentam, até o arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, onde se reproduzem. Neste ano, porém, quase não apareceram bebês nessa “maternidade”. Segundo a Agência Brasil, o Instituto Baleia Jubarte calcula que a proporção de filhotes ficou em 3,35% até setembro. No ano passado, a taxa bruta de natalidade foi de 10,7%. O recorde da série foi de 16,69%, registrado em 2024.
Comida em falta na Antártida
O diretor de pesquisas do instituto, Milton Marcondes, afirma que as mudanças climáticas podem estar reduzindo o krill disponível na Antártida. Esses pequenos crustáceos são quase a única comida das jubartes. As baleias não se alimentam durante a viagem, então precisam acumular gordura antes de partir, principalmente as fêmeas grávidas. Se a alimentação não for boa, a fertilidade cai e a fêmea em gestação pode perder o filhote, segundo o pesquisador.
Temporada mais curta
Normalmente, as jubartes chegam ao Brasil em junho, têm pico entre julho e outubro e vão embora até novembro. Com menos filhotes, as baleias que acasalam vão embora mais cedo, já que as mães ficam mais tempo só quando o bebê precisa crescer. Os encalhes também fogem do padrão. Até agora, foram 59 registros, contra 78 no ano passado. Santa Catarina e São Paulo lideram, algo incomum, porque os juvenis costumam parar nos estados mais ao sul.
O que os pesquisadores observam
Marcondes diz que oscilações populacionais são comuns, mas que é preciso entender o que afeta a reprodução. Ele lembra que o fenômeno também foi visto com jubartes do Pacífico, perto do Equador, e com populações da Austrália. A contagem anual da população total, feita por sobrevoo, ainda está em andamento. O último levantamento, em 2022, estimou 34,5 mil baleias. Para o pesquisador, se o problema com o krill continuar, a mortalidade atípica pode aparecer no ano que vem.
Fonte: Agência Brasil.