Cortes em auxílios ameaçam economia no interior do Brasil
Pesquisa da USP mostra que redução em benefícios sociais pode prejudicar economia e aumentar a pobreza nas cidades do interior brasileiro.
Corte em benefícios pode frear economia no interior do país
Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da USP, revelou que cortes ou ausência de reajuste em benefícios sociais e previdenciários — como aposentadorias, Bolsa Família e BPC — devem causar uma retração significativa na economia dos municípios do interior do Brasil. O levantamento, divulgado em outubro de 2026, destaca que esses auxílios representam quase metade da renda das famílias mais pobres nas cidades fora das capitais.
Impacto direto no comércio e renda das famílias
De acordo com a pesquisadora Luiza Nassif, da Unicamp e Made, o dinheiro dos benefícios é usado rapidamente na compra de itens básicos, mantendo o comércio local ativo e gerando empregos. Cerca de 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros estão fora das regiões metropolitanas, onde o impacto dos benefícios sociais é o dobro do observado nas capitais — no Ceará, por exemplo, a renda do interior vinculada a benefícios pode chegar a 40%.
Riscos para a renda e aumento da pobreza
O estudo projeta que sem os reajustes reais feitos entre 2022 e 2025, a renda agregada das cidades do interior poderia cair de 6,8% a 10,8%. Estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí enfrentariam quedas maiores, entre 17% e 18%. Além disso, a falta de valorização dos auxílios poderia levar 2,7 milhões de pessoas à pobreza, sendo 2,4 milhões em extrema pobreza, principalmente na Bahia, São Paulo e Minas Gerais.
Benefícios sociais: garantia de dignidade e sobrevivência
A pesquisadora destaca que qualquer congelamento ou perda do poder de compra dessas rendas pressionaria ainda mais as famílias pobres, ampliando a desigualdade e prejudicando o comércio das cidades do interior, que dependem desses recursos. Manter o crescimento real dos benefícios é visto como fundamental para a dignidade das famílias e para a saúde econômica local. A fonte dessas informações é a Agência Brasil.