Cresce participação do Brasil em pesquisas clínicas após novo marco legal
Marco legal aprovado em 2024 agiliza aprovação e atrai investimentos para pesquisas clínicas no Brasil.
Novo marco legal impulsiona pesquisas clínicas no Brasil
O Brasil conquistou avanços significativos na participação de pesquisas clínicas globais desde a sanção da Lei 14.874, em maio de 2024, que instituiu o primeiro marco legal específico para a área. A legislação, regulamentada em outubro de 2025, reorganizou os processos regulatórios, reduzindo prazos de análise ética para até 30 dias úteis e de avaliação sanitária da Anvisa para até 90 dias úteis — medidas que incluem a realização dos dois processos em paralelo, o que antes não acontecia.
Avanço no ranking e investimentos expressivos
De acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o Brasil subiu do 18º para o 12º lugar no ranking dos países que mais realizam pesquisas clínicas entre 2025 e o primeiro semestre de 2026. A expectativa é que o país alcance a 10ª posição em breve, graças a investimentos anuais previstos superiores a R$ 2 bilhões. A farmacêutica Roche, por exemplo, planeja destinar cerca de R$ 590 milhões ao ano para seus estudos no território brasileiro, incluindo pesquisas para tratamentos de Alzheimer, Parkinson, câncer de mama, lúpus e até uma nova medicação para emagrecimento.
Expansão regional e capacitação científica
Além do aumento na quantidade de estudos, a legislação facilita a execução de ensaios das Fases 1 e 2, que exigem maior rigor por envolverem menos participantes ainda em avaliação de segurança. Investimentos também vêm sendo direcionados para a capacitação de centros de pesquisa nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, buscando maior diversidade genética e geográfica dos voluntários. Essa iniciativa visa apoiar o desenvolvimento científico nacional e ampliar a qualidade do ambiente controlado que cada estudo exige.
Integração regional e desafios
No âmbito latino-americano, o Brasil acompanha uma agenda comum de fortalecimento dos centros de pesquisa, enfrentando a concorrência dos Estados Unidos e Europa na atração de pesquisas clínicas. Profissionalizar carreiras ligadas a coordenação e monitoramento de estudos é um dos desafios destacados para que a região amplie sua presença global nessa área.
A nova legislação representa um passo importante para o Brasil, ao unir rigor regulatório, agilidade nos processos, investimentos e capacitação técnica, fortalecendo a posição do país no cenário internacional de pesquisas clínicas.