Derrota de Trump pode frear intervenções na América Latina | Após revés nas urnas
Perda da maioria republicana no Congresso dos EUA pode limitar a política externa de Washington e melhorar as chances de negociação com o governo brasileiro.
A derrota histórica do presidente Donald Trump nos Estados Unidos pode mudar o jogo na América Latina. Com os republicanos fora da maioria na Câmara e no Senado, analistas acreditam que a Casa Branca terá menos espaço para tocar a política de intervenções na região.
Congresso pode colocar freios
Segundo a professora Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um Congresso com maioria democrata deve impor limites ao governo. Entre eles estão a autorização de gastos com ações no exterior e a abertura de investigações contra membros do Executivo. Para ela, o setor de defesa deve sentir mais esse efeito, o que pode reduzir recursos e ênfase nas iniciativas da região.
O Escudo das Américas no centro da disputa
A política externa de Trump defende a proeminência dos EUA na região e a chamada dominação do continente, com medidas para bloquear a influência econômica da China. Uma das iniciativas mais citadas é o Escudo das Américas, criado para combater cartéis de drogas, mas apontado como instrumento de interferência.
Na Bolívia, esse escudo foi usado para prender o procurador-geral Roger Mariaca, acusado de colaborar com o narcotráfico. A prisão levantou suspeitas porque ele investigava o operador digital Fernando Cerimedo, ligado ao movimento de Trump e que já atuou como assessor dos presidentes da Argentina e da Bolívia.
Tarifas podem ser o próximo capítulo
O tarifaço aplicado pelo governo Trump contra o Brasil é visto pelo governo brasileiro como uma interferência política, que teria mirado as eleições de outubro a favor do adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O cientista político Juliano Machado Pires avalia que a derrota deve incentivar um acordo. Ele afirma que a economia americana precisa melhorar e que comprar briga com o Brasil agora não faz sentido. Segundo ele, o secretário de Estado Marco Rubio deve ter mais trabalho para dar explicações ao Congresso, e Washington tem interesse em acordos com o Brasil em tarifas, terras raras e data centers.
Pires também não descarta que o governo Trump crie "factóides" no exterior para desviar a atenção de problemas internos.
Fonte: Agência Brasil.