Derrota republicana nos EUA coloca aliança com Israel em debate | Trump anuncia fim
Trump suspende ajuda militar de US$ 3,8 bilhões ao ano, e as críticas à relação com Israel ganham força após a eleição de meio de mandato.
Na terça-feira da eleição de meio de mandato, o presidente Donald Trump anunciou o fim da ajuda militar dos Estados Unidos a Israel. O valor é estimado em US$ 3,8 bilhões por ano e estava previsto para continuar até 2028. Segundo a Agência Brasil, a decisão pegou os aliados israelenses de surpresa.
Um apoio que vem de longe
Os EUA dão ajuda militar a Israel desde o governo de John Kennedy, nos anos 1960. Para o professor Bruno Huberman, da PUC-SP, essa ajuda cresceu de forma intensa no primeiro governo Trump. Segundo o Conselho de Relações Exteriores, uma organização não governamental sediada nos EUA, Israel recebeu dos americanos mais de US$ 300 bilhões desde 1947, até 2025. Desse total, US$ 224 bilhões são de assistência militar.
A eleição e o debate interno
O vice-presidente JD Vance afirmou que a relação com Israel foi um dos quatro principais motivos apontados por um consultor de confiança para a derrota do partido Republicano. Já o professor Danny Zahreddine, da PUC Minas, avalia que o anúncio de Trump buscou impedir a vitória de Abdul El-Sayed, eleito senador por Michigan, que fez campanha criticando os gastos com ajuda a Israel.
Para Paulo Abraão, da Brazil Office Alliance, a Casa Branca reconheceu o custo político dessa aliança, sem que isso signifique necessariamente o fim da parceria estratégica. Ele avalia que o apoio a Israel deixou de ser consenso entre democratas e republicanos. Na mesma eleição, a cidade de Providence, em Rhode Island, aprovou com cerca de 75% dos votos uma medida que proíbe investimentos em países acusados de limpeza étnica, apartheid, ocupação militar ilegal ou genocídio. A proposta não cita Israel.
A resposta de Israel
O presidente israelense, Isaac Herzog, reconheceu que existe um sentimento anti-Israel nos EUA e disse que o país sempre buscou apoio dos dois partidos. Já o representante de Israel na ONU, Danny Danon, rejeitou a análise de que a derrota nas eleições foi causada pelas relações com Israel.
Fonte: Agência Brasil, com informações do Conselho de Relações Exteriores e do The Times of Israel.