Eleitores dos EUA rejeitam data centers e ações de big techs caem | 40 de 41 plebiscitos
Em dez estados, a população rejeitou projetos de data centers das big techs, e o mercado reagiu com queda nas bolsas.
Nas eleições de meio de mandato, os americanos mandaram um recado claro: não querem data centers perto de casa sem controle. Segundo a Agência Brasil, dos 41 plebiscitos locais realizados em dez estados, 40 terminaram com a rejeição aos projetos das big techs.
Medo da inteligência artificial
Uma pesquisa da emissora NBC News com eleitores na boca da urna apontou que 57% acreditam que a inteligência artificial fará mais mal que bem à sociedade. Além disso, 76% se disseram contrários à construção de data centers em suas comunidades.
Energia e água no centro do problema
Esses centros processam os dados usados pelas IAs e consomem muita energia e água, o que pode encarecer esses insumos nas regiões onde são instalados. O economista André Roncaglia, professor da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que estados com menos regras para data centers recebiam mais investimentos, e que isso trouxe impactos ambientais e aumento no custo da energia e da água.
Mercado reage
As bolsas de vários países operavam em queda, em parte por causa da baixa dos papéis das gigantes de tecnologia. A Nasdaq Composite registrava recuo de 5,5% nesta sexta-feira (6). Roncaglia avaliou que o mercado financeiro costuma se ajustar quando muda a perspectiva política, e que agora pode haver um período de acomodação com novas regras para o setor.
O que pode mudar na política
Os democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado, o que, segundo o economista, indica ao mercado que o ambiente sem regulação para IA e data centers deve mudar. Já o presidente Donald Trump, que defende a não interferência em investimentos, anunciou em setembro deste ano uma agenda de autorregulação, em que as próprias empresas definiriam os mecanismos de segurança. Por sua vez, a deputada eleita pelo Arizona Yassmin Ansari defendeu uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e a proibição da superinteligência artificial.
Quem paga a conta
O diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, citou que 56% dos eleitores consideraram a IA e os data centers fatores importantes ou decisivos na hora do voto. Para ele, a questão central é quem ficará com os lucros da revolução tecnológica e quem arcará com os custos sociais e ambientais.