Extrema direita europeia toma distância de Trump após derrota republicana
Líderes da França, Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido evitam associação com o presidente dos EUA após eleições de meio de mandato
Distância calculada
Depois que os democratas venceram as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, líderes de extrema direita da Europa passaram a tomar distância do presidente Donald Trump. Na maioria dos casos, eles evitam criticá-lo de frente. Até pouco tempo atrás, muitos celebravam a afinidade ideológica com o republicano depois da vitória dele em 2024, e alguns chegaram a visitar Washington desde então.
O que dizem os líderes
Na França, Jordan Bardella, do Reunião Nacional, afirmou que o segundo mandato de Trump foi menos isolacionista que o primeiro. Ele também disse que a intervenção americana no Irã traz consequências muito graves para as economias do mundo, mas não responsabilizou o presidente diretamente.
Na Alemanha, Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha, atribuiu a derrota à guerra e afirmou que a promessa de não seguir uma política externa intervencionista ficou para trás.
Na Itália, Matteo Salvini, da Liga, disse que as guerras, as tensões internacionais e o aumento do custo de vida pesaram no resultado. Já Roberto Vannacci, que lidera o Futuro Nacional, criticou a política externa de Trump e afirmou que o presidente não conseguiu encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Custo de vida e risco eleitoral
Para o analista Mujtaba Rahman, do Eurasia Group, o que antes era um trunfo político pode virar um risco nas urnas, sobretudo porque Trump perde popularidade em relação ao custo de vida. Ele avalia que o perigo é Trump e seus aliados retirarem apoio aos partidos europeus ou até se voltarem contra eles.
Quem discorda
Nem todos seguiram o mesmo caminho. Dan Dungaciu, da Aliança para a Unificação dos Romenos, disse que as notícias sobre a “morte política” de Trump são muito exageradas. Na Espanha, Santiago Abascal, do Vox, afirmou estar “na Espanha e não em Michigan”. No Reino Unido, Nigel Farage, do Reform UK, chamou a derrota republicana de “completa e total” e disse que muitos jovens que seguem influenciadores de direita votaram nos democratas, por causa da guerra e do custo do combustível.
As informações são das agências Reuters e ANSA, conforme as declarações reunidas na reportagem original.