Indústria cai 0,8% em setembro e soma quarta queda em cinco meses
Recuo foi puxado por álcool, açúcar e derivados de petróleo, segundo o IBGE
Mais uma queda no mês
A indústria brasileira teve queda de 0,8% na passagem de agosto para setembro. Esse foi o quarto recuo em cinco meses. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram repercutidos pela Agência Brasil.
O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas de mercado, de -0,4%, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Veja a sequência dos últimos meses
Na série recente, maio marcou -1%, junho -1,6%, julho 0%, agosto -0,7% e setembro -0,8%. Somadas, as perdas dos cinco meses chegam a 4,1%. Esse número apaga parte do avanço de 4,2% registrado nos quatro primeiros meses do ano.
Quem puxou para baixo
As quedas foram espalhadas. Três das quatro grandes categorias econômicas e 17 das 25 atividades pesquisadas tiveram taxas negativas. Bens de capital, como máquinas e equipamentos, recuaram 1,9%. Bens semi e não duráveis caíram 1,2%, e bens intermediários, 0,7%. Só os bens de consumo duráveis subiram, com 0,7%.
Entre as atividades, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis tiveram recuo de 4,2%, e os produtos alimentícios caíram 1,7%. Segundo o analista da pesquisa, André Macedo, a produção de álcool e açúcar explica boa parte das perdas. Ele atribui esse efeito à menor moagem de cana-de-açúcar, pressionada pelo maior volume de chuvas.
Um ponto positivo
Na média, a alta das indústrias extrativas, de 1,7%, foi a principal influência positiva. Os destaques foram a maior extração de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro.
Visão de 12 meses e comparação anual
No acumulado de 12 meses, a produção industrial ainda tem alta de 0,2%. Mesmo assim, a indústria está 16,5% abaixo do patamar mais alto da série, registrado em maio de 2011.
Na comparação com setembro do ano anterior, a produção caiu 2,5%. É o recuo mais forte desde março de 2024, quando foi de -2,9%. O IBGE aponta dois fatores para esse resultado: setembro teve um dia útil a menos e a base de comparação é elevada, já que a indústria avançou 2% em setembro de 2025.
Fonte: Agência Brasil, com dados do IBGE.