Israel vai às urnas: eleição pode tirar Netanyahu do poder
Cerca de 7 milhões de israelenses votam na primeira eleição desde o ataque do Hamas de 2023. Oposição pode ter dificuldade para formar maioria.
Quem são os favoritos
Três partidos aparecem na frente na corrida pelo governo de Israel. Um é o Likud, do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que soma 19 anos no poder. Os outros dois são da oposição: o Yashar (Íntegro), do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, criado em 2025, e uma coalizão liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad), que foi primeiro-ministro de 2021 a 2022.
Eisenkot fez parte do gabinete de guerra após o 7 de outubro, mas saiu do governo criticando a condução da operação em Gaza. Ele acusa Netanyahu de negligenciar o resgate dos reféns. O primeiro-ministro nega as acusações.
O que une e o que separa
Os três são considerados linhas-duras em segurança. Nenhum reconhece a possibilidade de um Estado palestino, e todos defendem o desarmamento do Hamas. Eles divergem, porém, sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia.
Para o professor Michel Gherman, da UFRJ, Netanyahu se destaca por defender uma reforma que reduziria a autonomia do Judiciário.
E agora?
Israel é parlamentarista, e o Knesset tem 120 cadeiras. Quem vencer precisará formar uma coalizão. A professora Karina Calandrin, do Ibmec São Paulo, diz que Eisenkot e Bennett devem precisar dos partidos árabes, que eles já descartaram como aliados. Por isso, ela prevê que pode não haver coalizão. A votação é em cédula de papel, e o resultado só deve ser conhecido no fim da quarta-feira (28).