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Política

Listas de boicote por voto acendem alerta de entidades e do MPT

Abrasel, OAB e Ministério Público do Trabalho reagem a listas que apontam empresas e trabalhadores por posição política.

Por Redação Navegue Aqui ·

Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Listas que apontam empresas, comerciantes e trabalhadores para boicote por causa de voto estão gerando forte reação. Entidades empresariais, seccionais da OAB e o Ministério Público do Trabalho (MPT) já se manifestaram contra a prática. Segundo a Agência Brasil, o alerta é de que essas iniciativas trazem problemas jurídicos e ameaçam a democracia.

Bares e restaurantes na mira

O setor de bares e restaurantes está entre os mais atingidos. Por isso, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgou nota repudiando as listas. A entidade lembra que os empresários têm convicções políticas diferentes e que essa diversidade precisa ser respeitada.

A Abrasel também alertou que quem divulga essas listas pode responder na Justiça. Além disso, disse que o prejuízo não atinge só os donos dos negócios, mas também os funcionários, que dependem da renda do estabelecimento.

OAB e MPT entram no debate

A OAB de Tocantins publicou nota de repúdio nas redes sociais. Para a seccional, divergências eleitorais não podem justificar perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos.

O MPT foi à Justiça com uma ação civil pública para que a Meta retire do ar publicações que orientam empregadores a vasculhar as redes dos empregados e a demitir quem votou diferente. Segundo o procurador Maurício de Mello, o órgão recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral só nos três dias após o pleito. No total, foram 3.080 desde o início da campanha.

Um alerta com história

A ex-deputada Manuela d'Ávila comparou a prática ao boicote contra comerciantes judeus na Alemanha nazista. Ela lembrou que, em 1933, listas ajudaram a identificar estabelecimentos e profissionais alvos do boicote.

O professor Francisco Carlos Teixeira, da UFRJ, confirmou a referência histórica. Ele afirmou que esse tipo de lista é comum em regimes autoritários e foi usado durante a ditadura militar brasileira, com cassações, exílios e até mortes.