MPF busca acordo para reparação de quilombolas expulsos por mineradora em Minas Gerais
Procurador federal busca acordo com mineradora para garantir reparação e direitos a 1,3 mil famílias quilombolas afetadas no Machadinho, MG.
Contexto e histórico
Há mais de duas décadas, comunidades quilombolas do Machadinho, Amaros e São Domingos, localizadas em Paracatu (MG), foram expulsas de suas terras para instalação da empresa canadense Kinross Gold Corporation, que opera a mina Morro do Ouro para extração de ouro e prata. A retirada dessas famílias provocou sérios impactos territoriais, culturais e socioambientais.
Ação do Ministério Público Federal
Em outubro de 2026, o procurador regional da República, José Adércio Leite Sampaio, visitou Paracatu para avançar nas negociações de um acordo entre o MPF e a mineradora. O objetivo é obter o reconhecimento oficial das comunidades quilombolas, assegurar a garantia dos direitos territoriais, além de definir critérios para indenizações e possíveis reassentamentos. Cerca de 1,3 mil famílias podem ser beneficiadas.
Impactos socioambientais
O MPF destaca que a mineração gerou graves consequências para a população local, incluindo poeira e contaminação por arsênio, que causam problemas respiratórios. A estrutura de rejeitos da empresa possui capacidade para mais de 750 milhões de metros cúbicos, volume muito superior ao de outras barragens notórias no Brasil.
Indenizações e perspectivas
O valor estimado para a reparação varia entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão. Após o adiamento do julgamento das indenizações, previsto para agosto de 2026, o MPF mantém diálogo com a mineradora e as comunidades, buscando solução até novembro do mesmo ano. A negociação visa proporcionar justiça e ressarcimento às populações afetadas, que perderam não só suas terras, mas também modos de vida tradicionais.
Considerações finais
O procurador José Adércio ressaltou que o acordo não implica em flexibilização das exigências, mas sim na garantia do direito à terra e à justa indenização. Representantes das comunidades clamam por reparação integral, enquanto moradores seguem vivendo em vulnerabilidade, dispersos após as expulsões.