Padilha defende proibição das bets e cita impacto no SUS
Em audiência no STF, ministro da Saúde defende manter a proibição das apostas online e afirma que o jogo afeta o SUS e a vida de quem aposta.
O que o ministro disse
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da audiência pública convocada pelo STF e foi direto: a proibição das bets deve continuar. Para ele, essa é a forma mais eficaz de reduzir os danos que as apostas online provocam na população. Padilha disse estar preocupado com o impacto desse tipo de aposta no Sistema Único de Saúde (SUS) e com a situação de pessoas endividadas ou vítimas da ludopatia, que é o vício em jogos.
Os números apresentados
Durante a audiência, o ministro mostrou dados que indicam aumento de 200% na procura por atendimento no SUS por causa dos malefícios provocados pelas bets. Os números também mostram que 28 milhões de pessoas fizeram apostas nos 12 meses anteriores à proibição. Desse total, cerca de 11 milhões apresentaram padrões de risco ou comportamento problemático.
Padilha lembrou ainda que o governo federal já registrou 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de CPFs, mecanismo usado para bloquear a realização das apostas. Entre esses pedidos, 40% disseram que não aguentam mais perder o controle da própria vida.
Avaliação sobre outros países
Na avaliação do ministro, todos os países que legalizaram as bets registraram piora nos indicadores de saúde ligados aos jogos online. Ele também disse que o Brasil foi o primeiro a ter coragem de proibir essas apostas e questionou se algum país que legalizou as bets reduziu a procura por serviços de saúde por causa da ludopatia.
O debate no Supremo
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator dos recursos apresentados ao STF pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades pedem a derrubada da medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade dos jogos online. A MP foi editada em setembro deste ano.
As informações são da Agência Brasil.