Pela primeira vez, indígenas entram na carreira diplomática do Brasil | Itamaraty dá
Marcelo Kariri e Idjahure Terena começam o curso do Instituto Rio Branco, e a turma tem o maior percentual feminino da história.
Uma porta que se abre
Nesta quarta-feira (4), dois indígenas tomaram posse como diplomatas no Palácio Itamaraty, em Brasília. Segundo a Agência Brasil, é a primeira vez que representantes de povos originários entram no curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.
Quem são os novos diplomatas
Marcelo Kariri, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, vão integrar a turma que começa em 2026 e termina em 2028, antes de servir no Itamaraty. Marcelo é natural de Campina Grande (PB), é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande e atuou como engenheiro de suporte a produtos entre 2021 e 2025. Idjahure é doutorando em Antropologia Social pela USP e tem mestrado pelo Museu Nacional da UFRJ.
Uma turma mais diversa
O curso reúne cerca de 60 alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Quase metade dos ingressos ficou com grupos sub-representados na diplomacia brasileira: 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, uma pessoa quilombola e os dois indígenas. A reportagem também aponta 45% de mulheres, a maior participação feminina proporcional da história do grupo.
O que disseram as autoridades
Na cerimônia de posse, realizada na quinta-feira (5), a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que o corpo diplomático precisa refletir a diversidade do próprio país. Ela citou o Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que passou a apoiar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que a posse materializa o conceito de “Aldear o Estado”, ao levar lideranças indígenas para espaços técnicos capazes de influenciar decisões. Já o escritor e intelectual indígena Ailton Krenak, convidado de honra, destacou a presença de famílias e crianças na solenidade.
Contexto
O concurso teve ações afirmativas, como a política prevista no Estatuto da Igualdade Racial (2010) e uma antiga reivindicação dos movimentos de defesa dos direitos humanos. Segundo o IBGE, em 2022, o Brasil tinha 203 milhões de habitantes, sendo 1,2 milhão de indígenas, distribuídos em 391 etnias, e 92,1 milhões de pessoas negras, das quais 45,3% são pardas.
A matéria completa foi publicada pela Agência Brasil.