Por que vencer com 64 milhões de votos não basta para Lula governar sem negociar
Oposição fortalecida, centrão e acordos amplos aparecem entre os obstáculos apontados por especialistas em seminário no Rio de Janeiro.
A vitória com recorde de votos não resolve tudo. Foi o que especialistas disseram em um debate sobre o novo ciclo político do país, realizado na semana passada no Rio de Janeiro.
Votação recorde, governo difícil
Lula foi reeleito em outubro com 64 milhões de votos, o maior número absoluto da história das eleições presidenciais brasileiras. O resultado é mais expressivo que o de 2022, mas isso não significa que o presidente terá facilidade para governar. Com a oposição fortalecida no Congresso Nacional, o novo mandato vai exigir negociação permanente e alianças amplas.
Um Congresso com forte presença da direita
Segundo o professor Lúcio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), se forem considerados partidos como PL, Progressistas (PP) e Republicanos, a direita terá mais da metade das cadeiras no Congresso. Já o cientista político Cláudio Couto, da FGV, avalia que parte dessa oposição pode atuar para travar a agenda do governo, mesmo em projetos com apoio de parlamentares da base bolsonarista.
O papel do centrão
Os partidos de centro, reunidos sob o nome de centrão, devem ter um papel decisivo na tentativa de formar uma maioria, principalmente na Câmara dos Deputados. Um dos primeiros testes será a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro.
Mobilização da sociedade
A professora Talita Tanscheit, da PUC-Rio, afirma que a sociedade civil e os movimentos sociais voltaram à cena durante o segundo turno. Para ela, a participação popular pode ajudar a sustentar a agenda do governo e a defender pautas democráticas.
Lula tem dito que o cenário não é tão adverso e que pretende construir pontes com o Parlamento. Os próprios especialistas lembram que o terceiro mandato já aprovou pautas importantes, como o fim da escala 6x1.
Fonte: Agência Brasil.