Prematuro não para na alta: por que o acompanhamento importa | Bebê prematuro precisa
Campanha alerta que crianças nascidas antes das 37 semanas precisam de acompanhamento especializado depois da internação.
Cuidado não termina na alta
Alta do hospital não significa que o bebê está pronto para seguir sozinho. Esse é o recado da campanha Novembro Roxo, que pede acompanhamento especializado para monitorar crescimento, alimentação e desenvolvimento.
O que a campanha quer mudar
O slogan deste ano diz que prematuro é pequeno no tamanho, mas grande no potencial. A diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, afirma que a sociedade precisa olhar além da sobrevivência e da internação neonatal. Segundo ela, as famílias precisam de orientação, acesso a especialistas e apoio depois da alta. Ela também destaca que o acompanhamento não elimina todos os riscos, mas ajuda a reconhecer necessidades.
Os números
Um levantamento com dados da DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, identificou 75.301 internações ligadas ao nascimento de prematuros. Desse total, 53,7% precisaram de cuidados intensivos. A permanência média foi de 15,2 dias, mas bebês com menos de 28 semanas ficaram em média 49,4 dias. Também foram registradas pelo menos 1.789 readmissões nos primeiros 30 dias de vida, ligadas a icterícia (69,4%), problemas alimentares (9,8%) e doenças respiratórias.
Desenvolvimento pede atenção
Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, publicada em 2024, acompanhou 34 crianças prematuras até os 12 meses de idade corrigida. Dezoito apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes, e as que tinham certos sinais de atraso foram encaminhadas para intervenção precoce.
A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, explica que o organismo do prematuro ainda está em formação. Por isso, a família sente alívio com a alta, mas também medo e dúvida sobre os cuidados.
Uma história real
Uma menina, hoje com nove anos, nasceu com 27 semanas no interior do Maranhão. Depois da internação, o teste do pezinho levantou suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que pode exigir tratamento contínuo. A família precisava viajar mais de 250 quilômetros para as consultas, que eram mensais nos dois primeiros anos.
Informações da Agência Brasil.